• Ana Luíza Teixeira

Você acredita no poder dos regimes internacionais?

Atualizado: Fev 5



No final década de 1970 e começo de 1980, teve início o debate sobre neoliberalismo nas Relações Internacionais e, sobretudo, surgiu o debate acerca dos Regimes Internacionais. Inicialmente trabalhado pelos autores Keohane, Nye, Krasner e Bull, o conceito de Regimes Internacionais foi ponto focal das discussões que surgiam nas relações internacionais de um mundo globalizado cada vez mais interconectado. Keohane e Nye definem o conceito de regimes como “conjunto de arranjos de governança” que incluem “redes de regras, normas e procedimentos que regulam comportamentos dos atores e controlam os seus efeitos”. Partindo desta ideia, Krasner desenvolve o conceito definindo-o como “princípios, normas, regras e procedimentos de tomada de decisões ao redor dos quais as expectativas dos atores convergem em uma dada área-tema.” Exemplos do que são considerados regimes são: regime internacional de Direitos Humanos, Meio Ambiente, Biossegurança, Patentes e regime internacional de Controle de Drogas.

Qual a importância da convergência de expectativa dos atores globais em determinado campo para a dinâmica das relações internacionais? Em um mundo interconectado e dependente das relações externas, certamente que muita. Há certos assuntos que perpassam as fronteiras políticas construídas, atravessando as diversidades e pluralismos de cada Estado. Um pode entender Regimes Internacionais como formas de tentar conciliar interesses que partem de um mesmo ponto entre Estados e buscam fortalecê-los no sistema internacional, devido a sua complexidade e necessidade de esforços conjuntos. Vejamos a dinâmica das mudanças climáticas e meio ambiente na política internacional, desde a disseminação do debate ambiental no mundo até o sucesso de algumas medidas de preservação global, os esforços são guiados por princípios comuns entre Estados e que posteriormente viraram regras. A relevância dos regimes caminha lado a lado com o processo de mundialização e interdependência entre países.

Há autores que discordam completamente da relevância dos regimes na definição da política mundial e subestimam seu potencial político de impacto. Para aqueles que entendem o estado-nação como principal ator nas relações internacionais e incomparavelmente mais relevante que outros atores, os princípios e normas convergentes entre atores dentro de uma área comum não são efetivos nem podem ser previsíveis com o tempo e o aprofundar das relações.

E você, o que pensa sobre os regimes internacionais? Acredita no seu potencial de ação nas relações entre atores no âmbito internacional?


Referências:

https://www.scielo.br/pdf/rsocp/v20n42/08.pdf


Escrito por Ana Luíza Teixeira (analu.teixeira@hotmail.com)