• Marcos Sordi

Os direitos humanos são respeitados?

Atualizado: Fev 5



Ontem, dia 10.12 (quinta-feira), foi celebrado o Dia Internacional dos Direitos Humanos em vista do aniversário da proclamação deste documento pela ONU em 1948.

Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, no ano de 2019, este documento apresenta mais de 500 traduções sendo o mais traduzido no mundo inteiro.

São 30 artigos, sendo ao meu ver, todos são muito importantes. Mas venho destacar apenas dois desses: Artigo 1º e Artigo 30º. O primeiro artigo diz: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”; o último afirma: “Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.”

Eis minha pergunta: Com base nesses dois artigos apresentados, há algum Estado, agrupamento ou indivíduo que não respeite o direito de liberdade e igualdade em dignidade das pessoas?

Penso sempre nessa pergunta, pois não vejo o respeito abrangente. Não consigo visualizar, de forma transparente, essa consideração em várias sociedades.

O ato de respeitar qualquer indivíduo deveria ser prioridade nas nossas sociedades. A forma mais linda e singela de respeitar a pessoa ao seu lado, na mesma comunidade, na mesma sociedade, no mesmo país e no mesmo mundo é o tratamento igualitário. Tanto em âmbito pessoal quanto profissional.

Porém, o preconceito, enraizado nos continentes “influenciadores” e considerados poderosos nas discussões internacionais, enfraquecem e dissimulam o tratamento igualitário. E este tratamento está sendo referido ao gênero, classe social, religião, cultura, orientação sexual, raça, nacionalidade e assim vai.

São necessárias mudanças. Mudanças que minimizem atos preconceituosos havendo punições fortes e justas, e fortaleça movimentos que buscam mostrar às sociedades o verdadeiro caminho que nos leva à fraternidade e união.

Essas mudanças podem até ser relacionadas com o trabalho de tradução das sociologias das emergências e das ausências do escritor português Boaventura de Sousa Santos. Esse conceito afirma que sociedades influenciadas devem achar algum modo de traduzir certas teorias embasadas na realidade em que estas estão. Por exemplo, o Brasil se utilizar de uma teoria europeia ocidental e traduzi-la para a realidade vivida em terras tupiniquins.

Podendo se utilizar desse conceito, muitas sociedades que vêm sendo influenciadas por países dominadores (economicamente e principalmente socialmente) poderiam se libertar e mudar os paradigmas dentro de suas próprias comunidades. Se realizado, transformações começariam a ter efeito em esferas maiores.

E não, isso não é culpa de uma ideologia ou faz parte de outra. Isso é uma questão de humanidade! O ato de respeitar diferenças é universal e não deve ser reconhecido como característica de uma ideologia, crença ou “achismo”. E a partir desse ponto, há controvérsias em todo o mundo.

A defesa dos direitos dos seres humanos foi considerada característica de uma ideologia, pois esta colocou em pauta nas discussões importantes que vêm acontecendo durante décadas. Porém, deveria ser colocada em pauta pela outra ideologia também. Um indivíduo têm de ser respeitado independente de suas crenças sociológicas.

Infelizmente, sabendo disso, dilemas foram criados e a situação não é tão simples quanto eu pareço dar uma solução. E mesmo que este texto tenha se parecido pessimista com a atual situação vivida por grande maioria das sociedades, o mundo e, principalmente, as pessoas têm solução para esse problema. O que nos resta é catalisar essa solução o mais rápido possível para as próximas gerações viverem, realmente, um mundo sem tantas desigualdades e repleto de fraternidade e de equivalência.

Por fim, deixo algumas indagações que podem levar a uma reflexão igual venho levando em meus contínuos estudos:

A Declaração Universal dos Direitos Humanos afeta, direta ou indiretamente, nas ações dos países no Sistema Internacional atual? A opinião pública consegue efetivar alguma premissa em determinado governo? As democracias, mesmo que não totalmente transparentes e igualitárias, estão sendo cada vez mais ameaçadas pelo desrespeito? O que devemos fazer para um mundo sem desigualdades sociais? O ato individual consegue mudar os panoramas já existentes? Um grupo precisa ser, necessariamente, grande pra poder modificar possíveis futuras ações? A mudança tem de ser feita nos governantes e nas suas ideias? Há a tradução efetiva da Declaração Universal dos Direitos Humanos?

Referências:

Escrito por Marcos Sordi (marcosneto2001@hotmail.com)