• Laís Assis

O QUE TEM DE RELIGIÃO NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS?

Atualizado: Fev 5



Enxergar a religião ‘por baixo dos panos’ na política internacional não é comum ou frequente quando se trata de relações internacionais. Há quem diga que a religião é um fator de influência superado, algo morto na reforma protestante e sepultado na Paz de Westfália, que oficialmente marcaria o fim da influência direta da religião nas decisões políticas. O afastamento da religião no século XVII na política internacional significou a consolidação do surgimento do Estado, que forma sua soberania enquanto a religião fica às margens do sistema internacional, porém não a ponto de desaparecer.

O avançar dos séculos trouxe consigo a percepção por certos pesquisadores da dinâmica entre a religião e a política, principalmente após eventos com elementos religiosos, como o 11 de setembro e o crescimento de grupo terroristas, além das guerras e migrações que estão constantemente interligadas com o caráter religioso, presentes na agenda internacional até os dias de hoje. A religião atuou na elaboração de normas e princípios e na criação de um caráter mais humanista para a sociedade internacional (influenciando por exemplo na criação da Carta das Nações Unidas). Na segurança internacional há a presença de líderes religiosos incentivando diálogos para a paz, a exemplo do Papa Francisco em 2015, que escreveu uma carta direcionada a Vladimir Putin com um apelo para a solução dos conflitos na Síria. O líder da Igreja Católica também se destaca pelas ações e direcionamentos políticos na questão ambientar e na problemática da migração e guerras civis. o Cristianismo, o Islamismo, o Judaísmo, o Budismo e o Hinduísmo trabalham de formas distintas em seus próprios princípios e ajudam no humanitarismo global.

Por outro lado, ao mesmo tempo em que a crença pode dar à política internacional um direcionamento humanizado, pode também ser interpretada por grupos políticos alheios à religião, que se aproveitam do caráter da fé para se revoltarem a sua maneira contra as elites, se comportando de maneira extremista e motivando de conflitos. A maior expressão desse comportamento é o terrorismo, que no cenário internacional ganhou destaque em 2001 com o ataque das Torres Gêmeas, apesar dessa prática ser bem anterior a esse evento.

A pauta religiosa é extremamente complexa e cheia de vertentes a serem consideradas. A influência da crença na política internacional é inegável perante aos acontecimentos recentes nas Relações Internacionais devido ao alinhamento dos fatos históricos com a crença. Bem longe de Westfália, o debate hoje deve ser voltado ao olhar da religião para as pautas internacionais e como cada elemento se desdobra diante da sociedade.


REFERÊNCIAS

Resenha Religião e Relações Internacionais: dos Debates Teóricos ao Papel do Cristianismo e do Islã, por CARLETTI, Anna e FERREIRA, Marcos Alan S. V. (Coord.) Curitiba: Juruá, 2016. ISBN: 978853625858–4; resenhista: Fábio Rodrigo Ferreira Nobre.

Em Nome de Deus? Religião e Relações Internacionais, por JESUS, Diego Santos Vieira de. Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-Rio) — Brasil. Rio de Janeiro, 2018.

Escrito por Laís Assis (lais_assis.18@hotmail.com)