• Lara Martins

O que é interdependência complexa?



Interdependência complexa é a dependência mútua entre dois ou mais atores. O conceito cunhado por Robert Keohane e Joseph Nye em seu livro “Power and Interdependence” (1977) defende que existe uma dependência entre os países, no entanto, ela não é traduzida de forma simétrica. A segunda metade da década de 70 foi marcada pela deténte (período caracterizado pela diminuição das tensões causadas pela Guerra Fria). Nesse contexto, a perspectiva de conflito é atenuado e abre-se espaço para outras agendas que diferem da agenda tradicional de segurança.

A interdependência complexa possui três características principais. Primeiramente, ela é marcada por uma multiplicidade de temas. Como dito anteriormente, o espaço para outras temáticas é ampliado. Em 1972, ocorre a mega conferência ambiental de Estocolmo, por exemplo. Ao passo, que dentro desse mesmo contexto, duas instituições importantes à época entram em colapso: o fim do padrão dólar-ouro e os choques do petróleo. A última, por sua vez, escancara a dependência energética dos países desenvolvidos em relação ao combustível.

A segunda característica é a pluralidade de atores que pode ser lida como a consequência natural de uma abrangência temática. Quanto mais temas, mais atores. Dessa forma, os Estados passam a ouvir mais outros atores que não os governamentais, isso é necessário para cuidar e tratar de assuntos de novas agendas já que geralmente eles não possuem uma burocracia especializada. Além de membros da comunidade científica, nota-se a presença também da comunidade civil. Ela é, nesse caso, representada pelas Organizações Não-Governamentais, que dentro desse espaço também fazem o papel de fiscalizadoras das ações do próprio Estado.

Por ultimo, há a relativização do poder militar, que perde o caráter central e absoluto, e cede o lugar para a agenda social, econômica, socioambiental, de desenvolvimento etc. A realidade de interdependência complexa coloca os entes estatais em uma situação de vulnerabilidade, na medida em que as capacidades militares dos Estados não são mais suficientes para dar conta de uma nova realidade conjuntural. Essa vulnerabilidade, ao passo que possibilita a perspectiva de futuro, também estimula a própria cooperação.

A teoria não afirma que a arena internacional seja um ambiente de cooperação apenas, mas que no jogo para obter os resultados propostos é necessário manipular os fatores de interdependência. Tais assimetrias são consideradas fontes de poder entre os atores. Essas assimetrias na arena global aumentam a complexidade do sistema e tornam o cenário internacional um ambiente de coalizões mais complexas. Países maiores, por exemplo, têm maior potencial de resposta (sensibilidade) em relação aos países menores, e têm maior possibilidade de influenciar a ação (vulnerabilidade) de outros atores ou organizações no contexto internacional, por isso a probabilidade de ganho e barganha torna-se significativa, em relação aos países menores.