• Gabriela Elesbão

O NOVO RELATÓRIO DO IPCC



Em agosto deste ano, o International Panel on Climate Change (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por estudos científicos acerca do avanço e das consequências das mudanças climáticas no planeta Terra, publicou a primeira parte de seu sexto relatório. O estudo realizado por uma equipe de mais de duzentos e trinta pesquisadores serve como um alerta: a ação humana está deteriorando todos os ecossistemas planetários, sendo preciso que a comunidade internacional reúna esforços na recuperação do planeta.

Segundo o IPCC, a emissão de gases do efeito estufa (GEEs), como o dióxido de carbono, o metano e óxido nitroso, causada principalmente pela queima de combustíveis fósseis (carvão mineral e petróleo, por exemplo) e pela pecuária, foi responsável pelo aumento da temperatura do planeta em 1,1°C até o século XIX. Estimando-se que nos próximos vinte anos, está sujeita a aumentar até 1,5 °C. O efeito desse aumento na temperatura planetária significa, entre outras consequências: aquecimento dos oceanos, aumento do nível do mar, derretimento acelerado do Ártico, prejuízos para setores agrícolas, escassez alimentar, queimadas em diferentes biomas, alteração nos ciclos das chuvas e maior predominância de eventos climáticos extremos como as ondas de frio e de calor.

O relatório explica, ainda, que esses efeitos são resultados da ação humana nos ecossistemas e algumas consequências deles são irreversíveis, como o derretimento de geleiras e as mudanças causadas no oceano. Além disso, é urgente a mobilização para que as emissões de carbono cheguem a zero até 2050, com o objetivo de evitar catástrofes ambientais ainda maiores. Enquanto isso, movimentos migratórios, ameaças à vida indígena, esgotamento de sumidouros e outras fontes de recursos naturais já são efeitos consequentes da mudança climática e alteram pouco a pouco as estratégias de segurança de diferentes países.

Diante desse cenário, uma velha discussão é revisitada novamente: quando os países ricos se responsabilizarão pela crise climática? Como os países de continentes como Ásia, África e América Latina lidarão com as consequências de uma crise que historicamente não causaram, mas serão os principais afetados?

Atualmente, a China e os Estados Unidos são os principais emissores de gases de efeito estufa, mas não parecem realmente comprometidos diante da urgência da situação. Sem a participação destes, um acordo sobre a mudança climática não surtirá o efeito necessário, dado que, juntos, os dois países são responsáveis por cerca de 39% das emissões. Além disso, estudos apontam que o aumento da taxa de temperatura da superfície tem sido mais rápido na África do que nos demais continentes, assim como identificam o aumento de precipitações fortes no continente. Já na América Latina estima-se o aumento contínuo do nível do mar e recuo da costa, favorecendo inundações, também com alterações drásticas nos ciclos e níveis de chuvas.

Portanto, é preciso compreendermos que a mudança climática já está em curso e suas consequências podem ser vistas em todas as localidades mundiais. Ademais, seus efeitos não dizem respeito apenas à Natureza isoladamente, mas afetam profundamente a ordem política, social e econômica, exigindo uma resposta adequada e consistente da comunidade internacional.


Referências:


VI Relatório IPCC: <https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg1/downloads/report/IPCC_AR6_WGI_Chapter_01.pdf>

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