• O Não Internacionalista

Guerra dos Seis Dias


Entenda o conflito

A Guerra dos Seis Dias, chamada pelos árabes de “Guerra de Junho” ou “Terceira Guerra Árabe-israelense”, aconteceu entre os dias 5 e 10 de junho de 1967. Ela opôs Israel à Síria, Egito, Jordânia e Iraque — então apoiados por Kuwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão.O conflito foi consequência do crescimento das tensões entre os países árabes e Israel, em meados de 1967, e que levou ambos os lados a mobilizarem as suas forças. Seu início de fatoocorreu quando a força aérea israelense lançou um ataque preventivo contra as bases aéreas do Egito no Sinai (Operação Foco). Se os países árabes realmente estavam se mobilizando para avançar contra os israelenses ou se suas preparações eram meramente defensivas, ainda é assunto de debates e controvérsia até os dias atuais.

A justificativa para o conflito foi a antecipação à uma possível invasão árabe. O ataque então seria uma resposta preventiva à ofensiva ocorrida no dia 14 de maio, aniversário da fundação de Israel.No dia 7 de junho, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) pediu o cessar-fogo que foi imediatamente aceito por Israel e Jordânia. O Egito aceitou no dia seguinte e a Síria o fez no dia 10 de junho.

A primeira consequência evidente da Guerra diz respeito ao território: Israel multiplicou seu tamanho tomando a península do Sinai do Egito e as colinas de Golã da Síria; e a Jordânia perdeu a Cisjordânia.Os árabes que viviam nessas terras foram expulsos ou se retiraram para campos de refugiados e os judeus, estimulados pelo governo, começaram a criar assentamentos nos locais. Além disso, oresultado do conflito também impactou a causa palestina.Depois da Guerra dos Seis Dias, os países árabes ficaram menos interessados em lutar pelos palestinos e mais preocupados em recuperar seu território. Essa falta de interesse impulsionou o surgimento de um movimento palestino independente e nacionalista que busca, até os dias atuais, a atenção internacional.

A Guerra também movimentou o cenário geopolítico intercontinental ao abrir caminho para um maior envolvimento dos Estados Unidos no Oriente Médio. Naquele momento (1967)Washington foi protagonista nas negociações de paz entre Israel, Egito e Jordânia. Hoje, segundo Demant (2006), a situação privilegiada de Israel na política externa dos EUA não deixa dúvida sobre o envolvimento direto do país na região. Recebendo cerca de US$ 3 bilhões por ano, Israel é o destinatário da maior ajuda estrangeira oferecida pelos Estados Unidos, apesar de seu tamanho e população minúsculos.

O interesse nacional não deveria ser o primeiro objetivo da política externa norte-americana?Nas últimas décadas, porém, e em particular desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, a peça central da política americana para o Oriente Médio tem sido a sua relação com Israel. Para um aparte da literatura, a combinação do constante apoio à Israel e o esforço associado para difundir na região a democracia tem inflamado a opinião árabe e muçulmana e posto em perigo a segurança dos EUA, além de provocar inúmeras discussões na comunidade internacional.

REFERÊNCIAS

BBC News (2017) Os seis dias que já duram 50 anos: a guerra que mudou para sempre o Oriente Médio. Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-40200042

Confederação Israelita do Brasil — CONIB (2020). Guerra dos Seis Dias completa 53 anos. Disponível em https://www.conib.org.br/guerra-dos-seis-dias-completa-53-anos/

Demant, Peter. (2006). Com amigos assim, quem precisa de inimigos? Dois neo-realistas reduzem a amizade entre os EUA e Israel ao tráfico de influência. Novos estudos CEBRAP, (76), 75–101. https://doi.org/10.1590/S0101-33002006000300004