• O Não Internacionalista

Guerra do Golfo



Ocorre que a Guerra do Golfo é colocada pela imprensa como sendo uma guerra sem grande importância histórica, apenas conhecida pelas armas inteligentes, bombardeios cirúrgicos e alta tecnologia, desconhecendo talvez a sua real dimensão. A própria historiografia também não trata a Guerra do Golfo como um fato histórico de grande relevância no cenário internacional. É bem verdade que não se deve superdimensioná-la, carregando-a de um peso histórico que não possui, mas também não se pode relegá-la ao esquecimento. Assim sendo, foi de suma importância estudar tal temática para compreender melhor o mundo (ZARPELEÃO)

Muito antes da Guerra do Iraque, em 2003, dos conflitos com o Estado Islâmico e do combate ao terrorismo, os Estados Unidos se envolveram em um conflito armado no Oriente Médio. A Guerra do Golfo ocorreu entre 1990 e 1991 em resposta à invasão iraquiana no Kuwait. Além disso, foi um conflito conhecido internacionalmente por ter transmissão televisiva instantânea. O contexto da época era de grandes transformações nas relações internacionais, crise do socialismo real no Leste Europeu, fim da Guerra Fria e o consenso, nunca antes existido, na atuação da ONU, durante o citado conflito.

Em agosto de 1990, o Iraque, sob o regime de Saddam Hussein, invadiu o Kuwait. Oficialmente, Hussein acusava o país de roubar petróleo na fronteira, mas a realidade era que o Iraque tinha uma grande dívida com o Kuwait, o que remonta à Guerra entre Irã e Iraque na década de 1980. Nesse último conflito citado, o ataque do Iraque ao Irã fazia parte dos interesses internacionais, que usaram o Iraque como instrumento para barrar o avanço da Revolução Islâmica de 1979.

Hussein queria que o Kuwait perdoasse a dívida. Imediatamente, as Nações Unidas denunciaram a invasão iraquiana no Kuwait e impuseram sanções ao país. O Iraque também possuia outros objetivos que feriam a estratégia geopolítica e econômica dos Estados Unidos na região, como aumentar o seu território, conseguir mais poços de petróleo e ter uma saída maior para o Golfo Pérsico

Em agosto de 1990, o presidente dos EUA, George H. W. Bush (“Bush pai”), ordenou o início da “Operação Escudo do Deserto” à luz da Doutrina Powell do Departamento de Estado dos Estados Unidos, como resposta ao Iraque. Pouco depois, a Organização das Nações Unidas (ONU) autorizou o uso de força militar para fazer valer o embargo ao país de Hussein. No dia 16 de janeiro de 1991, a “Operação Tempestade no Deserto” dava início à ofensiva norte-americana contra os iraquianos.

A invasão do Kuwait gerou uma reação internacional imediata e, no mesmo dia da invasão, o Conselho de Segurança da ONU divulgou a Resolução 660, que condenava a invasão coordenada pelos iraquianos e ordenava que as tropas do Iraque abandonassem o Kuwait de imediato. A continuidade das forças iraquianas no Kuwait resultou no desembarque de tropas americanas e britânicas na Arábia Saudita.

As tropas americanas e britânicas instaladas na Arábia Saudita foram colocadas propositadamente, para impedir uma possível invasão daquele país pelas tropas iraquianas. Em 29 de novembro de 1990, o Conselho de Segurança da ONU emitiu uma nova resolução contra o Iraque (Resolução 678). Nesta, a ONU estabelecia que as tropas iraquianas se retirassem de Kuwait até o dia 15 de janeiro de 1991.

Como o governo iraquiano seguiu ignorando as determinações do Conselho de Segurança da ONU, uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos resolveu agir. A partir do dia 17 de janeiro de 1991, foram iniciados ataques aéreos contra o Iraque, os quais visavam locais estratégicos. Os ataques estenderam-se ao longo de 42 dias.

O custo financeiro sofrido pelos Estados Unidos foram altos. No total, segundo o Congresso, os americanos gastaram US$ 61,1 bilhões na guerra. Cerca de US$ 52 bilhões teriam sido pagos por várias nações árabes: US$ 36 bilhões pelo Kuwait, Arábia Saudita e outros países do Golfo Pérsico. Cerca de US$ 16 bilhões foram dados pela Alemanha e pelo Japão. Cerca de 25% do pagamento saudita foi feito na forma de serviços às tropas aliadas, como comida e transporte. Como os americanos tinham, de longe, o maior exército, eles acabaram gastando consideravelmente mais do que qualquer país.

Mais de 1.000 civis kuwaitianos morreram no conflito.Outros 600 desapareceram durante a ocupação iraquiana, sendo que 375 foram mais tarde encontrados enterrados em valas comuns. O aumento na intensidade dos bombardeios aliados por meio de aviões e mísseis de cruzeiro acabou causando controvérsia, pois o número de baixas civis infligidas estava ficando muito altas. Nas primeiras 24 horas da Operação Tempestade no Deserto, mais de 1.000 surtidas aéreas foram lançadas, focando principalmente na região de Bagdá. A cidade sofreu com os pesados bombardeios, já que era o coração do regime de Saddam e onde ficava o Centro de Controle e Comando das forças armadas iraquianas. Muitos civis acabaram morrendo nestes ataques.

39 países participaram da guerra, tendo como liderança os EUA:: Afeganistão, Argentina, Austrália, Bahrein, Bangladesh, Bélgica, Canadá, Czechoslovakia, Dinamarca, Egito, França, Alemanha, Grécia, Honduras, Hungria, Itália, Kuwait, Marrocos, Países Baixos, Nova Zelândia, Níger, Noruega, Omã, Paquistão, Polônia, Denmark, Portugal, Qatar, Arábia Saudita, Senegal, Serra Leoa, Singapura, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Síria, Turquia, Emirados Árabes e Reino Unido.

Bibliografia indicada:

SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. O Iraque no Grande Jogo Político Mundial.

«Iraq and Kuwait Discuss Fate of 600 Missing Since Gulf War». Los Angeles Times. 9 de janeiro de 2003

https://www.uel.br/grupo-pesquisa/gepal/segundosimposio/sandrohelenomoraiszarpelao.pdf