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Guerra da Coreia

Atualizado: Mai 4



Como o próprio nome sugere, foi um conflito entre as Coreias do Norte e do Sul — mas também foi a primeira batalha militar a opor capitalistas e socialistas, deixando o mundo quase à beira de uma guerra nuclear em um contexto de bipolaridade na Guerra Fria. A semente de tudo isso foi plantada em 1945, com o fim da Segunda Guerra.

Desde 1910 a Coreia (na época, ainda um único país) estava ocupada pelos japoneses, que começavam a se render às tropas aliadas. Os dois principais líderes do bloco, os Estados Unidos e a União Soviética, concordaram em dividir a rendição: os soviéticos receberiam as tropas nipônicas que estivessem na parte norte da Coreia, acima da latitude de 38 graus, enquanto os americanos cuidariam dos soldados do sul. Esse episódio acabou fracionando o país e gerando as duas Coreias. A do Norte, ligada à União Soviética, se tornou comunista. A do Sul continuou abraçada ao capitalismo, guiada pelos americanos.

Em 1949, a maior parte das tropas estrangeiras já tinha saído dos dois países, mas, no ano seguinte, a tensão explodiu com a invasão das forças norte-coreanas no lado sul. Dois dias depois, o então presidente americano Harry Truman mandou tropas para lutar ao lado da Coreia do Sul — outros 15 países também enviaram soldados.

Enquanto essas tropas avançavam para o norte, a China comunista entrou na história para defender os norte-coreanos. O conflito escalou para uma guerra aberta total quando os norte-coreanos, apoiados belicamente pelos soviéticos e chineses, invadiram o sul, em 25 de junho de 1950. Como resposta, o general Douglas McArthur, comandante dos EUA, propôs atacar territórios chineses, mas Truman não deu aval — o presidente americano temia que isso provocasse uma reação da União Soviética, aliada dos chineses. Naquele período, o Conselho de Segurança das Nações Unidas reconheceu isto como uma invasão ilegal e exigiu um cessar-fogo. A 27 de junho, o Conselho da ONU aprovou a Resolução 83, condenando a invasão e despachando uma tropa sob a bandeira das Nações

A situação só começou a mudar em 1952, quando Dwight Eisenhower assumiu a presidência dos Estados Unidos e ameaçou detonar armas nucleares contra a China e a Coreia do Norte se a guerra continuasse. Em julho de 1953, finalmente, foi assinado um cessar-fogo (mas o fim da guerra não foi oficializado até hoje). Não era sem tempo: 4 milhões de pessoas já tinham morrido, a maioria civis.

A luta se arrastou por três anos até que, em 27 de julho de 1953, um armistício foi assinado. O acordo firmou a Zona Desmilitarizada da Coreia a fim de separar o Norte e o Sul, e permitiu a troca de prisioneiros. Contudo, nenhum tratado de paz formal foi assinado entre as partes envolvidas, o que faz com que as duas Coreias estejam, tecnicamente, ainda em guerra.

Em abril de 2018, os líderes das duas Coreias se reuniram na Zona Desmilitarizada e concordaram em trabalhar para assinar um tratado de paz para encerrar oficialmente a guerra.

O primeiro esboço do fim do mundo

A batalha oriental opôs chineses e americanos e quase detonou a Terceira Guerra Mundial

25 de junho de 1950

Em busca de mais território, tropas da Coreia do Norte, comunista, invadem a Coreia do Sul, capitalista. A pedido da Organização das Nações Unidas (ONU), 16 países enviam soldados para combater ao lado da Coreia do Sul. Os Estados Unidos lideram o grupo

15 de setembro de 1950

Forças americanas desembarcam em Inchon, no litoral coreano, 160 quilômetros atrás das linhas inimigas. A ofensiva pega de surpresa os norte-coreanos e parte significativa de seus exércitos é destruída

25 de novembro de 1950

O governo socialista da China decide bater de frente com o bloco capitalista: envia 180 mil soldados para combater pelo lado do norte. É um rascunho do que seria uma Terceira Guerra Mundial

31 de dezembro de 1950

Tropas comunistas lançam sua segunda e mais violenta invasão à Coréia do Sul, com meio milhão de soldados chineses e norte-coreanos. Apesar de sua força, o ataque acabou detido, graças a bombardeios aéreos

27 de julho de 1953

Depois de os Estados Unidos ameaçarem usar armas nucleares no conflito, um armistício é assinado para suspender os combates. Isso não representou um acordo de paz entre os dois países, apenas um cessar-fogo. E a tensão militar continua até hoje na região

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