• Gabriela Elesbão

Estados Unidos e a prática imperialista



As noções de imperialismo — a prática de dominação política, militar ou econômica de um Estado sobre outro — estão bastante atreladas ao período do início do século XX com a partilha de territórios africanos e asiáticos pelas potências europeias. No entanto, as práticas imperialistas seguiram presentes nas relações internacionais, ainda que não mais sob a alcunha da colonização, mas sob a justificativa da ajuda financeira, humanitária e democrática dos Estados centrais aos Estados periféricos do Sistema Internacional, atualmente com destaque aos Estados Unidos. Com o final da Guerra Fria, os Estados Unidos despontaram como única grande potência mundial e utilizaram a década de 1990 e os anos 2000 para expandirem sua hegemonia por meio de novas relações no Sistema Internacional. Esse período de liderança estadunidense diante dos demais países foi marcado pelos acordos econômicos com as regiões de África, Ásia e América Latina, as interferências nos conflitos da região dos Balcãs, as guerras com os países do Oriente Médio e o envio de enormes contingentes militares para diversas regiões do globo sob o lema de estabilização da ordem em diferentes localidades.

A política externa estadunidense desenvolveu, então, um modus operandi bastante específico: afirmar seu compromisso com os ideais democráticos de seu Estado e levá-los aos demais, enquanto encontrava justificativas diante de seus próprios cidadãos e da comunidade internacional para interferências nos sistemas políticos de Estados não alinhados aos seus interesses, classificando-os como antidemocráticos, consequentemente, como ameaças para a paz do Sistema Internacional. Essas justificativas procuravam mascarar os interesses econômicos dos Estados Unidos em regiões periféricas do Sistema Internacional, uma vez que a produção econômica no sistema capitalista exige a transferência de excedentes de mercadoria para outras localidades mundiais, a fim de evitar crises de desvalorização e manter o padrão de consumo interno do próprio país.

Na prática, as ações imperialistas estadunidenses que vão desde a suposta estabilização econômica de países periféricos por intermédio de empréstimos (como em relação ao México e a alguns países africanos como Serra Leoa, Angola, Nigéria na década de 1990), até a promoção de guerras para remover governos entendidos como autoritários (como na Guerra do Iraque em 2003), passando por chantagens diplomáticas diante da comunidade internacional (como com Cuba nas décadas de 1990 e 2000), acabam por revelar a necessidade de atrelar outras economias mundiais ao sistema financeiro dos EUA, estabilizando a economia dos Estados Unidos por meio de seu ethos de dominação diante dos vizinhos internacionais.