• Maria Tereza

Da 5 Bloods




“Se não associarmos o que acontece no Vietnã e aqui, logo viveremos uma época de total facismo” - Angela Davis, 12 de novembro de 1969.


Destacamento Blood, novo filme do Diretor Spike Lee está disponível na plataforma Netflix insere-se dentro da política falha que envolve a guerra — nesse caso a do Vietnã — , em especial com a intenção de nos mostrar um dos aspectos “esquecidos” no que se refere a participação dos negros no conflito, em que a desproporcionalidade era gigantesca, pois os negros que eram apenas 11% da população na época correspondiam a 32% dos soldados mandados para o conflito.


O enredo do filme aborda um grupo de veteranos de guerra que se reúnem no Vietnã para resgatar o corpo de um amigo que morreu em combate e uma grande quantia de ouro que esconderam. A priori, a trama parece simples e aponta sinais de desgaste — afinal, o que não falta são filmes sobre a Guerra do Vietnã. Mas é aí que vem a genialidade do cineasta: o longa nos mostra como esses personagens lidam com seus traumas pós-guerra e por meios de flashbacks vamos descobrindo como era a relação dos Bloods (grupo de batalha dos personagens), o heroísmo fica por conta do personagem Norman (Chadwick Boseman) que morreu em batalha. Lee também insere questões muito pontuais relacionadas à política atual dos EUA como um protagonista que votou em Trump, por exemplo.


Todavia, na minha opinião a principal mensagem do filme é que é importante, quiçá essencial, considerar olhar a história por uma ótica que não seja a sua.