• Lucas Ramos

Chile enfrenta seu passado olhando para seu futuro

Atualizado: Fev 18


No dia 25 de Outubro de 2020, aconteceu a votação para o plebiscito no Chile, que tinha como objetivo determinar a vontade da população de criar ou não uma nova constituição para o regimento do país. A população foi às urnas de forma massiva, e decidiu pela criação de uma nova constituição, cuja assembleia responsável será eleita no ano de 2021 pela população em outro período de eleições.

Essa decisão não é uma que pode ser considerada leve, pois a criação de nova constituição em qualquer país é um ato de extrema importância, que rege como serão as políticas base daquele país nos anos vindouros. Entretanto, essa é uma decisão ainda mais poderosa para os chilenos, que não apenas votam por uma nova constituição, mas também para enterrar de vez o passado sombrio da nação, passado este marcado pela ditadura militar de Augusto Pinochet.

No ano de 1973, o mundo se encontrava no auge da Guerra Fria, na qual os Estados Unidos e a União Soviética tentavam em diferentes frentes estabelecer como dominante a sua ideologia, ou seja, o capitalismo e o socialismo, respectivamente. Foi nesse contexto que Salvador Allende, governante de esquerda eleito democraticamente no Chile foi retirado do poder em função de um golpe de estado pelas forças militares de Augusto Pinochet, que governaram o país em uma ditadura fascista de 1973 até o ano de 1990, produzindo uma constituição que manifestava os interesses daquela classe dominante em 1980. É importante notar que a ditadura chilena não só foi incitada pelos EUA, como apoiada a todo momento até o seu declínio.

A ditadura nesse período produziu uma quantidade imensa de presos políticos de oposição ao regime, além de resultar em um aumento significativo da pobreza no país, com estatísticas que variam entre 5 e 8 milhões. Entendendo este contexto podemos entender o porquê da decisão do povo chileno para tentar enterrar a constituição do período Pinochet.

Essa decisão também procede de um aumento cada vez mais significativo da força política da esquerda no país, que protesta nas ruas contra o presidente Sebastián Piñera, que representa a direita no Chile, além de um apoio crescente ao futuro candidato à presidência Daniel Jadue, do Partido Comunista do Chile, que, se eleito, se mostrará como mais um obstáculo para as forças de direita brasileiras, principalmente o presidente Jair Bolsonaro.

No ano de 2021, portanto, o Chile terá eleições extremamente importantes, que incluirão, além de prefeitos e governadores, os membros da Assembleia Constituinte. Já em 2022 o Chile terá mais uma vez uma eleição, dessa vez para eleger um novo presidente. Desde já, porém, o Chile tomou a decisão de enfrentar o seu passado, além de olhar esperançoso para seu futuro.


Referências

COGGIOLA, Osvaldo. Governos Militares na América Latina. 1. ed. São Paulo: Editora Contexto, 2001. p. 1–53.

FOLHA. Em plebiscito histórico, chilenos decidem acabar com Constituição de Pinochet. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/10/pinera-vota-em-plebiscito-no-chile-sobre-mudanca-na-constituicao.shtml. Acesso em: 12 nov. 2020.

LA VANGUARDIA. Los años más oscuros de Chile. Disponível em: https://www.lavanguardia.com/vida/junior-report/20191108/471450047349/dictadura-chile-augusto-pinochet-represion.html. Acesso em: 12 nov. 2020.

USP. HISTÓRICO DA DITADURA CIVIL-MILITAR DO CHILE. Disponível em: http://www.usp.br/memoriaeresistencia/?page_id=287. Acesso em: 12 nov. 2020.

Escrito por Lucas Ramos (lucaslicoramos@gmail.com)