Barão do Rio Branco e a política externa brasileira

José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, ao qual foi dada a alcunha de patrono da diplomacia brasileira, foi Ministro das Relações Exteriores do Brasil de 1902 a 1912. Ele formulou a política externa brasileira nos primeiros anos da república e foi o responsável por moldar como essa se sucederia por boa parte do século XX. As decisões tomadas pelo barão eram de cunho pragmático - ou seja, não visavam um sentido ideológico, mas sim eram práticas - sempre buscando o maior desenvolvimento do país no cenário externo. Ele teve como principais objetivos o reconhecimento externo, da recém formada, república brasileira e também almejava que o Brasil se tornasse uma das principais hegemonias hemisféricas. Para isso, angariou aproximação com os Estados Unidos da América, visando obter influência e alcançar seus propósitos e buscou formar uma hegemonia regional compartilhada com a Argentina e o Chile, na América Latina.

À frente do ministério, Rio Branco deu continuidade aos esforços de aproximação com os Estados Unidos e aumentou o prestígio do Brasil no cenário internacional, tornando mais atuante e moderna a política externa brasileira. Ao estabelecer vínculos mais estreitos com os norte-americanos, nação em vertiginosa ascensão à condição de potência mundial, Rio Branco tentava garantir ao Brasil vantagens tanto no sistema internacional, quanto nas relações mais específicas com a América do Sul. Esta aproximação chegaria ao auge em 1906, com a visita do secretário de Estado norte-americano, Elihu Root, por ocasião da III Conferência Internacional Americana no Rio de Janeiro.

O momento era favorável à aproximação, porque os Estados Unidos, na corrida imperialista, buscavam estabelecer sua área de influência, retomando a Doutrina Monroe, e procuravam renovar o diálogo com a América Latina. Sua visão realista, característica que se eternizou na condução da política externa brasileira, passou a reger as ações do Itamaraty da mesma forma que a presença norte-americana, que, já no primeiro mandato de Rio Branco, se manifestou até mesmo nas importantes questões de fronteira com as repúblicas vizinhas.

Na concepção de Rio Branco, a melhor maneira de se proteger contra atentados à soberania era garantir a estabilidade política da região, então entre 1902 e 1912, o Chanceler brasileiro desenvolveu em relação aos vizinhos da América do Sul uma linha de ação baseada na convicção de que um alto nível de diálogo diplomático era indispensável para garantir a paz na região. No que diz respeito especificamente às relações com a Argentina e o Chile, o tom geral da política de Rio Branco foi o de que era necessário manter e fortalecer a convivência pacífica. Foi com este espírito que apresentou, em 1909, o projeto de tratado de "cordial inteligência política e arbitramento" para ser examinado pelos governos dos três países, que ficou conhecido como "Triângulo do ABC”.

Ao mencionar os principais feitos de Rio Branco, para Goes Filho (2002) a principal contribuição do barão como ministro foi concluir a determinação dos limites do território nacional, dando sequência à obra iniciada no período colonial e continuada pelos diplomatas do Império, estabelecendo as fronteiras nacionais por meio de arbitramentos com a Argentina (questão das Missões, 1895), França (questão do Amapá, 1900), Bolívia (questão do Acre, 1903), Equador (1904), Holanda (Guiana, 1906), Colômbia (1907), Peru (1909) e Uruguai (1909) (BUENO, 2012). Para além do asseguramento da unidade regional e da proteção da soberania nacional, Rio Branco aumentou o prestígio da imagem brasileira no exterior, alcançou o reconhecimento da república brasileira no exterior, colocou o Brasil como uma região de destaque e influência na América Latina e promoveu o rearmamento naval brasileiro.

É inquestionável o prestígio e o legado que a política externa formulada pelo Rio Branco carregou. Sendo assim, tamanho foi o feito do patrono da diplomacia brasileira, que as bases das relações exteriores estabelecidas por ele, ao longo dos seus anos como chefe do Ministério das Relações Exteriores, ainda seriam vistas, no âmbito da política externa brasileira, até os anos 50. Sendo apenas com a proposta da Operação Pan-Americana, durante o governo de Juscelino Kubitschek, que essa começa a mudar um pouco o seu direcionamento. Posto isso, em complemento a compreensão da importância dessa figura brasileira faz-se válido mencionar o trecho do texto, sobre o barão, de Fernando Guimarães Reis, no qual ele diz ‘’Com efeito, a imagem do Brasil e do insubstituível chanceler se confundiam quando ele estava vivo. Um século depois, continuam se confundindo – é um convite para descobrir novas facetas neste retrato inacabado, talvez por mais cem anos, talvez para sempre. (PEREIRA, 2012)



Referências


BUENO, C. O Barão do Rio Branco no Itamaraty (1902–1912). 2012.


PEREIRA, M. (org). Barão do Rio Branco: 100 anos de memória. Brasília: FUNAG, 2012.