• Fábio Agustinho

Além da reforma tributária: O que está acontecendo na Colômbia?

Por Fábio Agustinho



Desde o dia 28 de abril, os colombianos estão ocupando as ruas das cidades em uma greve nacional convocada após o presidente de Iván Duque apresentar uma proposta de reforma tributária altamente regressiva- ou seja, que pesa mais nos bolsos daqueles com menor renda e não compromete os privilégios dos 1% mais rico, os quais pagam menos imposto de renda na proporção de suas rendas -. Um dos pontos mais antipopulares da proposta é a tentativa de aumentar as tarifas de produtos de consumo básico e de serviços públicos essenciais; no entanto, esse foi apenas o estopim para uma série de protestos de abrangência muito maior, que colocaram em primeiro plano o tamanho do terrorismo de Estado no país.

Como no restante da América Latina, a Colômbia tem suas origens no antigo estatuto colonial, cujo fim deu-se a partir de um processo de independência política que não questionou a concentração de terras no mundo rural e nem a dependência estrangeira. Porém, o país mais ao norte da América do Sul tem uma peculiaridade: o caráter ainda mais intolerante e agressivo do Estado contra as demandas populares. Enquanto no restante da região as guerrilhas surgiram como uma resposta às ditaduras militares, na Colômbia elas se organizaram como a única forma de enfrentar a profunda violência estatal, razão pela qual elas seguiram existindo no século XXI. Contraditoriamente, os massacres realizados pelas forças do Estado aumentaram após a assinatura do Acordo de Paz com as FARC em 2016, o que reforça a tese da oposição de que o acordo foi uma manobra para desarmar os movimentos sociais, facilitando, dessa forma, a execução de suas lideranças.

Assim como os eventos da Guerra dos Mil Dias e do período de La Violencia mancharam de sangue a história da Colômbia, a repressão do governo de Iván Duque contra os manifestantes já tirou a vida de mais de 30 pessoas, para não falar do assassinato de 54 líderes sociais apenas neste ano, estando entre eles a governadora indígena Liliana Peña. É essa violência estrutural da sociedade colombiana que faz as manifestações aumentarem, apesar do recuo de Duque com a reforma tributária e da renúncia de seu ministro da fazenda.

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