• Daniela Butnariu

A geopolítica da vacina



Desde o início da pandemia do coronavírus no mundo, um assunto tem sido de cunho popular: a vacina; inicialmente como uma esperança e nos meses finais de 2020 como uma realidade. Após as primeiras aplicações, em diversos locais, a comoção foi geral, pois deu a chance de um vislumbre do fim da doença. Mas para muitos países e até continentes inteiros, esse vislumbre foi apenas um sonho rápido e agora a realidade de falta de vacinas, desvio das mesmas e até movimentos anti-vacinas, batem à porta.

Observando as aplicações ocorrendo no mundo todo, podemos, de forma clara e bastante perceptível, notar quais são os países mais seguros no mercado de vacinas. Há aqueles que apostaram em diversos laboratórios, muitas vezes ignorando a origem do produto e os que se abandonam à própria sorte, restringindo-se a um ou dois laboratórios, usualmente de seus países “favoritos”, e que agora enfrentam problemas gigantescos. É partindo deste pressuposto que vemos a seguinte situação: os países ricos, que abrigam cerca de 16% de toda a população global, possuem agora 60% de doses de vacinas disponíveis no mundo, e, evidentemente, o maior número de indivíduos que receberam o imunizante.

Neste cenário de compras desenfreadas dos países ricos, surgem três grandes atores nessa peça; Rússia, Índia e China, buscando o aumento de sua influência política e econômica com seus próprios imunizantes, se destacam já no início das vacinações devido a uma certa motivação de aumentarem seu papel nesse momento, procurando promover maior cooperação global, com vistas em interesses próprios.

Neste contexto, um dos maiores exemplos no cenário mundial do fiasco na aplicação das vacinas é o Brasil, que não só tem desenvolvido uma dependência externa desses países, como uma dependência também interna, quando tão logo nos primeiros meses passa a depender do estado de São Paulo para ocorrer a primeira aplicação, o que inclusive foi ressaltado pelo presidente ao se referir à Coronavac (versão chinesa do imunizante) como a “Vacina Chinesa de João Dória” — Governador do estado de São Paulo.