• Fábio Agustinho

150 ANOS DA COMUNA DE PARIS



Em março de 1871, nasceu na capital francesa a Comuna de Paris, a primeira tentativa de substituição do sistema exploratório da ditadura da burguesia pelo modelo de autogestão da sociedade pelos trabalhadores: a Comuna de Paris. No contexto da guerra franco-prussiana, após o então presidente Thiers, os homens de negócios, os altos funcionários do governo e a elite eclesiástica fugirem de Paris para Versalhes devido ao cerco dos inimigos da França, ficaram para defender a capital o grande contingente de trabalhadores comuns, armados pela Guarda Nacional. Abandonados por seus representantes políticos, os parisienses entraram para história ao recusarem as ordens de Thiers de devolverem suas armas e o controle da capital ao Governo Provisório após a firmação do acordo com Bismarck e ao elegerem uma Comuna com sufrágio universal, sem distinções de renda, gênero e nacionalidade.

A Comuna teve como primeiro decreto "o fim do recrutamento militar e o armamento de todos aqueles que podiam empunhar armas em defesa da cidade; isentou os pagamentos das rendas das casas por um tempo; balizou todos os salários, inclusive dos membros da comuna, pelo salário médio de um operário (cerca de 6 mil francos); aboliu todos os pagamentos à Igreja, separando os poderes religiosos do Estado transformando todos os bens eclesiásticos em propriedade nacional e abrindo as escolas tornando a educação acessível a todos. Tornou elegíveis todas as funções públicas, inclusive a de juízes e magistrados, que deveriam ser eleitos em seus distritos e, como todos os cargos da comuna, revogáveis a qualquer momento" (IASI, 2011, p. 74).

Todas essas conquistas foram implementadas no curto período de setenta e dois dias em que perdurou a Comuna. Após enfrentar o duro isolamento do restante da Europa e os ataques das tropas de Thiers (auxiliadas pelo exército de Bismarck), a Comuna foi derrotada no final de maio de 1871, sendo o controle político de Paris entregue a Conde de Mac-Mahon, que deu continuidade às novas jornadas de chacinas com o objetivo de devolver a capital "em ordem" a Thiers e à burguesia francesa.

Apesar de derrotada, a Comuna de Paris não deve ser interpretada como um fracasso, mas como a experiência possível em determinado momento histórico. Passados quase cento e cinquenta anos dessa experiência, impõe-se uma conjuntura de crise permanente da ordem do capital e das instituições políticas que o defendem cuja superação apenas se materializará com o aprendizado proveniente das conquistas e dos erros do passado.